"O possível não nos interessa, nosso objetivo é o impossível!.
Ninguém pede para nascer, mas, depois que nasce, cresce e toma consciência do que é a vida, tem mais é que encará-la com todos os seus prós e contras, de preferência sem reclamar do fato de ter nascido. Se formos analisar a quantidade de problemas que temos de enfrentar aqui na Terra, seremos até capazes de imaginar que este Planeta foi inventado pelo Ary Quintela, aquele famoso matemático autor de livros didáticos cheios de “problemas” para a gente resolver na escola.
Diante das dificuldades que se apresentam no cotidiano existencial, compete a cada um estudar a melhor forma de superá-las. Algumas, por vezes, podem até parecer insolúveis, mas esse é um tipo de pensamento que só passa pela cabeça dos menos perseverantes, aqueles que costumam “jogar a toalha” , sem tentar alguma forma de reação, ante o primeiro desafio.
Não raro, a solução de um problema aparentemente difícil de ser superado está diante dos nossos olhos e nem percebemos isso. Certa vez, lá pelos idos da década de l960, eu morava com dois colegas num quarto de pensão, no centro de Porto Alegre. Como éramos militares, servindo no QG da 3ª Região Militar, fazíamos as refeições no quartel, inclusive aos sábados, domingos e feriados, quando não havia expediente.
Numa manhã de sábado, chovia muito, tornando difícil o deslocamento para o almoço no quartel, embora ele ficasse a apenas duas quadras de onde morávamos. No quarto, a gente tinha um fogareiro a álcool, usado de vez em quando para fazer café e fritar ovos numa pequena frigideira. Decidimos então não enfrentar a chuva e substituir o almoço por um café reforçado com pão e ovo.
Coube-me a tarefa de preparar o lanche, ficando a cargo dos companheiros Nelson Schlup e Ivo Werberich – ambos de origem germânica - a limpeza e arrumação do ambiente, após a refeição. Ao abrir a caixa de fósforos para acender o fogareiro, também conhecido como ‘espiriteira’, verifiquei que estava vazia. Como nenhum de nós fumava – Graças a Deus ! – não havia nem mesmo um isqueiro, no recinto, para “quebrar o galho”.
Diante dessa impossibilidade, sentei na cama e pensei: meu Deus, será que dentro deste quarto não existe nada capaz de produzir calor, além dessa ‘maldito’ fogareiro ? A primeira coisa que me veio à mente foi o ferro elétrico de passar roupa, quando então me dei conta de que, com a prancha aquecida e virada para cima, poderia fazer às vezes de uma chapa de fogão. Aí, foi só colocar a ideia em prática. Com o ferro virado, calçado entre dois tijolos que estavam à mão, preparei o nosso “café-almoço”, inspirado numa ‘célebre’ideia-força que nos era transmitida, no cumprimento de missões, pelo capitão Piero Ludovico Gobbato, comandante da Companhia em que servíamos: “O possível não nos interessa. O nosso objetivo é o impossível”.
*Cb 32 - Lino Hercílio Tavares de Souza - jornalista
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